19.04.2007
Um dia para refletir a educação
Comunicação, direitos humanos, violência e auto-conhecimento. O que estes assuntos têm a ver com a educação? Eles foram temas de discussão durante o 1º Encontro de Professores do AABB Comunidade, que aconteceu na última terça, dia 17.
Para refletir sobre a prática educacional, estiveram presentes no Salão de Festas da Asbac os educadores sociais Grazy e Julinho, que desenvolvem trabalho com crianças de rua na Restinga. Através de um debate sobre expressão e comunicação, os palestrantes destacaram a dificuldade e a importância de saber ouvir e realizar a leitura de outros sinais emitidos pelos alunos, como a linguagem corporal. A Coordenadora de Projetos da AABB, Fernanda Andrade reforçou que o hábito da escuta deve ser desenvolvido na vida pessoal antes de ser aplicado aos alunos. “Devemos dedicar tempo para ouvir, pois este é um hábito que se perde muito com a rotina”.
A segunda palestrante do encontro foi a Promotora de Justiça da Infância e da Juventude, Maria Regina Fay de Azambuja, que abordou a violência infantil sob a ótica dos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Conforme a promotora, a outorga da Constituição Federal em 1988 trouxe a “revolução da esperança”, quando foi criado através do artigo 227 o Estatuto da Criança e do Adolescente. “A idéia atual é chegar nas crianças antes que a pobreza e a exclusão”.
Em relação aos dados divulgados pela palestrante, registros da Delegacia de Polícia, Conselho Tutelar, Hospitais e Ministério Público envolvendo crianças e adolescentes de 0 a 14 anos apontam que 80% dos casos de violência ocorrem dentro de casa. Ela informou ainda que o tráfico de mulheres e crianças movimenta anualmente U$7 a U$9 bilhões por ano, somente perdendo em lucro para o tráfico de drogas e contrabando de armas. Para conter esta situação, ela ressaltou o papel positivo de iniciativas como o AABB Comunidade. “Estas coisas não aparecem facilmente. O papel de vocês, por estarem convivendo em um momento fora de sala de aula, possibilita ouvir declarações das crianças que são capazes de mudar suas vidas”.
Para encerrar a maratona de reflexões, a especialista em Arteterapia Maria Tereza Petrini realizou uma oficina de auto-conhecimento. Na oportunidade, ela ressaltou a importância da troca de vivências entre professores e alunos, da busca pelo aperfeiçoamento pessoal e do afeto. “O afeto é mais importante que o aspecto material, e isso deve ser transmitido através da atenção, respeito e dignidade no tratamento com os estudantes. Isso deve existir independente dos demais problemas”.
Fazendo um balanço do evento, a coordenadora Fernanda Andrade afirmou que o debate agradou muito ao público presente e colaborou, principalmente, para aumentar a integração entre os professores das escolas e o AABB Comunidade. “Foi um sucesso. Pretendemos repetir outras vezes”, concluiu.
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