Questão indígena, cercamento, desapropriação de terrenos e implantação do plano de manejo. Não são poucas as tarefas da administração do Parque Natural do Morro do Osso, situado na Zona Sul da Capital. Da mesma forma, são muitas as belezas e as espécies raras presentes no local que necessitam de preservação e maior atenção de seus usuários. Para levar questões como essas ao conhecimento do público, uma reunião será promovida às 18h30 no próximo dia 10, na sede da AABB Porto Alegre, para escolher os integrantes do Conselho do Parque.
“Esse Conselho é para que as pessoas participem da gestão e tomem conta daquilo que é de seu direito”, afirmou a bióloga responsável pelo Parque, Maria Carmem Sestren Bastos. Seis meses após a Secretaria Municipal do Meio Ambiente ter lançado o plano de manejo, é chegado o momento de aplicar as suas diretrizes. Composto por 24 membros, o grupo será formado por 50% de entidades de representação civil (ONGs, associações, escolas) e 50% de órgãos do poder público (secretarias, departamentos, comissões – tanto do âmbito municipal quanto estadual e nacional).
Na oportunidade, será feita uma explanação das características naturais do Morro, bem como das questões políticas e sociais ligadas ao local. A bióloga espera que, pelo menos, cerca de cinqüentas pessoas compareçam para a escolha dos representantes.
Por que preservar o Morro
Localizado próximo às margens do Lago Guaíba, o Morro do Osso possui aproximadamente 220 hectares de área natural e constitui-se num importante reduto biológico. Fatores como a presença da Mata Atlântica, fauna e flora em risco de extinção, paisagem privilegiada e o esforço de ambientalistas junto aos moradores da região levaram à criação do Parque Natural do Morro do Osso, em 1994. Hoje, ele é considerado uma Unidade de Conservação da Natureza, protegida pela Lei federal nº 9.985/2000.Conforme descrição no site da prefeitura, o Morro do Osso faz parte da cadeia dos morros graníticos existentes em Porto Alegre e possui 143 metros de altura, sendo que, atualmente, apenas 57 hectares estão demarcados.
Quem já abraçou a causa
A situação dos índios kaingangues instalados há quase 3 anos na entrada do Parque já incomodou até quem vive acostumado a lidar com tragédias. O músico e ator Hique Gómez, morador do Bairro Sétimo Céu, manifestou-se a respeito da situação no ano passado, durante a entrega do prêmio de teatro Qorpo Santo, da Câmara Municipal pelo espetáculo Tangos & Tragédias. Na oportunidade, ele chamou a atenção para a necessidade da remoção dos índios e alertou sobre a preservação do local. Consultado sobre a situação atual, Hique não se posicionou.“Tenho estado um pouco afastado deste problema, agora estou precisando me aproximar de novo. Vou fazer o possível para estar na reunião do dia 10 e, depois, vou poder me manifestar com mais embasamento”, declarou.
Moradora do Jardim Isabel há 32 anos, a advogada Marília Azevedo enfatiza que o local precisa de mais atenção das autoridades. “Precisamos de mais fiscalização e alguém muito forte no controle para resolver questões como a desapropriação dos terrenos, a expulsão dos índios e a demarcação dos limites”, afirmou.
Em 2006, quem se aproximou da questão foi a Associação Atlética Banco do Brasil, que tem sua sede em área vizinha ao Parque. Segundo o presidente do Clube, Luís Antônio Brum Silveira, a AABB participa das reuniões para formação do Conselho com o objetivo de contribuir para o que está ao seu alcance. “Uma empresa socialmente responsável tem que voltar seus olhos para as polêmicas que estão próximas a ela, e não tentar solucionar os problemas do resto do mundo.”
Para o presidente da ONG Caminhadores, Rotechild Prestes, que utiliza o morro uma vez por mês, “as principais necessidades do Morro do Osso são o cercamento da área, a demarcação das trilhas, uma melhor capacitação dos guarda-parques para o uso de equipamentos de resgate (como bússola, mapas e gps) e um mapa para que o visitante possa fazer a trilha autoguiada”. Ele utiliza o Parque para a realização de trilhas junto aos 30 voluntários da ONG.
O programa Ecoturismo Acessível Para Todos, destinado às pessoas com deficiência física em cadeira de rodas, é realizado no Parque do Morro do Osso, com o apoio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente há mais de 4 anos. Interessado na formação de um grupo de voluntários que cuide do Parque, Rotechild é um dos possíveis integrantes do grupo que será formado na próxima terça-feira. “Independentemente de estar ou não no Conselho, vamos continuar usando o Parque, porque somos o único projeto deste tipo no País e de interesse das três secretarias municipais (Meio Ambiente, Acessibilidade e Turismo), e sempre colocando em evidência cada vez mais o Parque Natural do Morro do Osso no fora e dentro do Brasil”, destacou.