06.05.2010
Correr e ensinar com atitude
Na AABB, se reúnem pessoas ímpares, que praticam esportes ou apenas vivem o calendário social do Clube. Mário Roberto Fernandes Corrêa é uma delas. Mas, com um grande porém: através de palavras sinceras e profundas, ele nos passa com tranquilidade e clareza uma grande experiência e lição de vida.
O esporte é um grande aliado na vida desse assíduo frequentador do Clube. Corredor nato, participante de maratonas, rústicas, ele nos exemplifica os benefícios para levar uma vida saudável.
Confira a entrevista que a equipe da Comunicação fez com ele, buscando, também, destacar a ótima campanha que ele teve na 4ª Meia Maratona do CORPA (Clube dos Corredores de Porto Alegre), alcançando o segundo lugar no podium na categoria 50 a 54 anos, com o tempo de 1h28min23seg.
AABB: Antes da corrida, você praticava algum outro esporte? Por que decidiu começar a correr?
Mário Corrêa: Na realidade, a corrida sempre fez parte da minha vida. Apenas que, durante a maior parte do tempo, sempre foi praticada sem muito critério. Eram eventuais, de fins de semana, até que, já na faixa dos 44 anos, comecei a participar de algumas competições de rústica aqui em Porto Alegre. O verdadeiro gosto por essa prática esportiva nasceu quando iniciei a realizar treinos sistemáticos e com orientação.
AABB: Desde quando você corre?
M: Como praticante assíduo e participante dos eventos desse gênero esportivo, há cinco anos.
AABB: Como são os treinos?
M: Os treinos são quase que diários, todos orientados em função das minhas características pessoais. A intensidade e o tipo de treino estão diretamente ligados aos tipos de competição de que participarei. Atualmente, estou me preparando para a Maratona de Porto Alegre. É a terceira que farei. Os treinos são totalmente distintos daqueles destinados às rústicas. No mínimo, há um treino de pista por semana. Os demais são treinos de rua. Alguns, de menor intensidade, visando ao relaxamento da musculatura, ou os de batimento cardíaco podem ser realizados em esteira. Para a maratona, os treinos de longo percurso se realizam aos sábados. Neste período, já estamos realizando treinos de 32 e 36 quilômetros.
AABB: Além da conquista desse segundo lugar, você já se destacou em outras corridas. Gostaríamos que lembrasse desses outros prêmios...
M: Sim. No ano de 2004, fui segundo colocado em um rústica alusiva à AJURIS. Em 2006, também obtive um 5º lugar em outra rústica, não recordo agora qual foi. Além disso, já tive o 11º melhor tempo (geral) no trajeto de 12 km da TTT (Travessia Torres Tramandaí). Isso também ocorreu na corrida de Gramado, no ano passado, no trecho do Vale da Ferradura. Não é fácil subir ao podium na faixa etária dos 40 a 55 anos. Essas são as faixas mais competitivas.
AABB: Na sua profissão, quais os ensinamentos que a corrida lhe traz?
M: A corrida, assim como qualquer outro esporte, mas especialmente o individual, traz ensinamentos que podem ser aplicados integralmente não só na atividade profissional, mas também na vida pessoal. A fixação de um objetivo, a concentração na trajetória de seu atingimento, a determinação, o esforço, a superação são aspectos que deixam de ser abstratos. Passam a ser concretos, ou seja, acabam se incorporando na tua forma de ser e a fazer parte de todas tuas vivências. O autoconhecimento é um dos pontos principais, através do qual se obtém a intimidade com as próprias limitações individuais. E elas acabam sendo superadas. Os pontos de limite são expandidos. O que antes se apresentava como barreira, daí a pouco deixa de ser. E isso tudo, no conjunto, nos leva a introjetar uma outra característica tão rara, atualmente: a humildade. Não há verdadeira vitória sem humildade. É nela que repousa o verdadeiro espírito esportivo.
AABB: Qual é a maior lição que você deixa para quem começa a correr agora e para quem ainda não pratica nenhum esporte?
M: A lição que me parece mais concreta é a de que há um renascimento. A vida virtual deixa de existir. Quer um exemplo efetivo? Maior parte das pessoas que não praticam qualquer tipo de esporte não viram a beleza da lua cheia desta semana, à noite. Também não sentiram a sensação agradável do ar de outono. Talvez tenham tomado conhecimento disso através da tela de televisão, o que é muito distinto. Além disso, estão os laços de amizade que nascem nesses meios. Eles são fortes e saudáveis, porque forjados na plataforma da determinação, da superação e da dedicação. Conhecer os próprios limites significa respeitar os limites alheios.
AABB: Você, certamente, se lembra da sua primeira corrida. Conte-nos um pouco como foi a sensação da chegada.
M: Lembro-me de uma competição de que participei aos 18 anos, a mais remota. Mas esta me trouxe, na verdade, uma grande lição, o que posso referir em outra ocasião. Sensação incomum é a chegada da primeira maratona. O primeiro instante é pura superação do sofrimento físico e psicológico. No momento imediatamente seguinte vêm a satisfação, a alegria incontida e uma vontade incontrolável de compartilhar com todos aquele momento, inclusive com aqueles com quem não tens muita afinidade ou simpatia. É indescritível...
Foto: Raquel Hoefel
Voltar